08 junho 2010

Meu Castelo

Castelo de Guimarães - Portugal
Imagem: Wikipédia - cópia e distribuição autorizada.


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Meu castelo, meus desejos,
Absorto em insanos pensamentos,
Escapam-me do controle,
Carregam-me como ventos.
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Um lugar não muito distante

Esta história começa em um lugar não muito distante. Lugares muito distantes soam-me desabitados, nada convidativos e um tanto quanto inatingíveis (no que muitas pessoas concordariam comigo). De toda forma, esta história, em verdade, começou em um lugar não muito distante, conforme é sabido.

É claro que um lugar não muito distante assim o é, dependendo do lugar em que você próprio encontra-se. Se você está próximo demais (mais do que seria saudável) de edifícios de concreto, veículos que vomitam fumaça, e hordas de pessoas desagradavelmente desconhecidas e apressadas, talvez você esteja longe demais. Mas só talvez.

Muito possivelmente você já esteve próximo ao lugar a que me refiro. Enquanto estava desatento (ou atento às coisas erradas), atrás dos erros e da poluição, depois de duas ou três colinas, e, talvez, um rio, esta história começava. Exatamente onde o ar é leve e onde poderíamos encontrar, sem dificuldade, um cavalo pastando...

02 junho 2010

Ó, perfundidos perfumes...

E o sonho continua...

Ainda em beijos, trocamos nossas primeiras palavras. É a primeira vez que ouço tua voz dedicada a mim. O som é profundo e carregado, como que a emanar-te dos recantos da alma, onde habitam os desejos nunca confessados. As palavras tuas inflamam-me os sentidos; ouço os mínimos ruídos que nos rodeiam, meus dedos lêem os menores detalhes da tua pele descoberta, minha língua glorifica-se com a suavidade mentolada da tua e com o delicado suor que rebrilha em teu pescoço.

Mas imperante é o perfume teu. Combinando-se com a química da tua pele, ele me atinge violentamente, domina-me com poder absoluto. Envolve-me, como que volutas de incenso sagrado desenrolando-se nas alturas da nave de uma catedral, ampliando surrealmente meu espaço; nosso espaço. Enlouquece-me teu perfume. Minha face afunda-se, enquanto abraço-te, em o teu pescoço, a beijar-lhe. A barba, por fazer, atrita-se com a tua pele, fazendo-te arrepiar e estremecer. E também a mim um arrepio percorre todo o corpo. Desejo-te e também tu me desejas...

Ó, notívaga noite...

Originalmente aparado por Igor Ferrante em EroSensismo. em 24 Maio 2010.

Conquanto sonhasse com teus lábios mais do que dedicasse empresa a propósito de possuí-los, contemplar-te todos os dias, todavia, desperta em mim força tal, que me é escusado resistir-lhes.

Ah, a noite, mãe de todas essas paixões. Vejo-te. Então tu me vês. Fito-te com toda a intensidade e significado que consigo reunir, esperando que tudo compreendas através dos meus olhos, em que descortina-se a profundidade que o amor lhes confere. Aproximo-me. Tu tentas manter-te a calma. Silenciosamente, exprimo-te meus desejos. Enlaço-te. Ser-te-ei delicado. Sei que nunca viveste o amor. Sei que nada sabes dessas coisas.

Primeiro, apenas beijo-te, como que a viver o último ato da minha vida. E permito-te beijar-me. Os lábios descolam-se delicada e brevemente para dar passagem ao ar, que enche os peitos em haustos. São suspiros, gemidos e interjeições de prazer. Leio-te os olhos, como que à alma, em uma voracidade de sentimentos. E tenho que apoiar-me, pois as pernas me faltam, tamanha a fúria com que vibram e contraem-se em sede luxuriante de sentir-te as tuas...