Apresento-te meus olhos. Dizem alguns que são a janela da alma. Eis, então, que esses são janelas abertas para o passado.
Embora saiba que aquela época não fosse gloriosa absolutamente, a distância que agora me separa das lembranças daquele tempo lança, sobre esse passado, uma densa bruma que relativiza e indetermina. Os infortúnios que, outrora, pareceram-me intransponíveis e castigantes, consomem-se agora, se perdendo no turbilhonamento de anos de recordações acumuladas.
As lembranças do que foi bom, das melhores companhias, dos deliciosos dias frios e iluminados, são as que vencem com menor dificuldade o véu que encobre-me o passado. E rememorio-me de tais momentos. Possíveis aulas de Matemática, árvores e gramados, e divertidos irresponsáveis ao meu lado.
Mas meus olhos não são esses mais...
Ao que pensas que os olhos sempre mudam, nunca te esqueças de que a alma é eterna, mesmo que se mude a forma de vê-la, ao decorrer das mais insólitas experiências que nos são dadas conhecer... Ver o passado como valioso tesouro que é guardado é muito bom, mas melhor que isso é vivenciar o presente com toda a força da verdade. Tempos ruins são aqueles em que vivemos nos alimentando de tristeza, enquanto que os tempos verdadeiramente felizes são ofertados e vividos com sinceridade, mesmo que tenham gosto amargo no momento em que o vivenciamos...
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