A boca. Eis o que a mim mais fascina em ti. Como são absolutos os teus lábios em meu mundo de sonhos. E como a boca minha deseja-lhe a tua desesperadamente...
Mas como podeis, então, tu seduzir-me tão completa e irresistivelmente? Sinto ribombar-me no peito o coração, quando, ao acaso, ocorre-me te ver passando; e, por reservas, volto a cabeça, para que tu não me vejas nos lábios o irreprimível sorriso que sinto subir a eles. Iluminas-me. Ponho-me a divagar sobre as intercorrências do destino que colocar-nos-iam em comunhão. E incendeia-me o corpo sonhar com a docilidade dos beijos teus.
Silêncio. Eis o que a mim mais fascina em tua boca. Essa quietude que cobre-te como que com a suave e terna melancolia dos amantes saudosos. E teus lábios selados lançam-me em um ímpeto luxurioso de tomar-te nos braços, findado todo o comedimento.
Vivamos nosso indizível amor (!)...
em itálico, trecho livremente baseado em Gustave Flaubert
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